Au Pair · Intercâmbio

Minha vida de Au Pair – Parte 1

Bom dia!!!

Então pessoal, hoje irei contar um pouco da minha experiência no programa Au Pair. Como adiantei no outro post, fiz este intercâmbio entre os anos de 2007/2008. Como a história é longa, terei que dividi-la em uma série de posts, que irei chamar de “Minha Vida de Au Pair”.

Parte 1

A ideia…

No ano de 2006 eu cursava Enfermagem na Faculdade Evangélica de Curitiba. Eu gostava muito do curso, porém na prática via algumas coisas no sistema de saúde que eu não concordava. Isso me fez ficar na dúvida se queria seguir o com aquele curso. Também naquele ano trabalhava no Hospital Evangélico, mas especificamente na farmácia do pronto socorro, e nas horas vagas fazia trabalho voluntário na pediatria de queimados.

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Estágio na pediatria de queimados – HUEC 2006

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Eu com uma pequena paciente da pediatria de queimados – Projeto Doutores da Alegria- HUEC 2006

Então, estava gostando do curso, porém em dúvida. Havia acabado de terminar um namoro de 2 anos, e com muita vontade de viajar. Foi ai que pensei, se eu não fizer um intercâmbio agora, neste momento da minha vida, acho que nunca mais farei. Pois se eu esperasse terminar a faculdade, provavelmente teria pressa em iniciar a carreira já que estaria formada. Se arranjasse outro namorado, poderia ficar receosa de viajar e de terminar, ou manter um relacionamento à distância. Resumindo, a hora era aquela.

Com este pensamento em mente, comecei a pensar em quais as possibilidades que existiam.  Aí, por coincidência do destino ou não, uma colega do ensino médio que eu não conversava a tempos (Pamela Prado), me contou que iria fazer este programa de Au Pair e me explicou por cima como funcionava. Bingo!!!!

Era início de dezembro quando tudo isso aconteceu, eu fiquei curiosíssima. Como não sou de perder tempo, chamei meus pais para irem comigo conhecer a agência que ela havia mencionado. A agência em questão era a Experimento Intercâmbio Cultural, que para o programa de Au Pair trabalha com a agência americana Au Pair In América.

Chegando lá, fui atendida pela Ju Sans, que hoje trabalha na CI Intercâmbio de Floripa. Ela me explicou como funcionava o programa. Me explicou que eu teria que fazer um dossiê sobre mim, listar minhas experiências envolvendo crianças, antecedentes criminais, fotos, hobbies, essas coisas. Ela também me explicou que o tempo de duração era de 1 ano, podendo ser estendido para 2 anos. Que eu iria ter direito a 2 semanas de férias remuneradas, USD$500,00 em cursos de minha preferência pagos pela família. Ela também me informou o salário, que na época era de USD$160,00 por semana. Amei tudo, e nem pensei muito, decidi que iria, e iria logo.

Colocando em ação…

Quanto aos custos, pelo que eu me lembro, na época tive que pagar um valor para me inscrever na agência daqui (não lembro direito, mas acho que foram uns R$500,00), e eles me ajudarem com todos os procedimentos. Entre eles a montagem de um dossiê, listagem de documentos que eu precisava reunir e etc… Depois disso, tinha um outro valor que era de USD$500,00 para a agência a APIA, mas este somente tinha que ser feito alguns dias antes do embarque.

Meus pais me apoiaram na decisão de ir, minha mãe sempre fica mais animada com este tipo de coisa, já ficou pensando nas mil aventuras que eu teria (muito saudosista). Já meu pai é mais preocupado e ficava pensando em todos os cuidados que eu tinha que ter, porque para ele o mundo é muito perigoso.

Voltando para casa, já comecei a ir atrás de como faria no trabalho, providências para trancar a faculdade, terminar de tirar a carteira de motorista (que por sinal é obrigatória neste programa), fazer um plano financeiro etc.

Eis que no fim de fevereiro já havia conseguido reunir todos os documentos necessários e montar meu dossiê. Havia começado as aulas de inglês fazia um mês mais ou menos, e intensificado os plantões e horas extras no hospital para juntar mais dinheiro para a viagem. Também aproveitei esses meses para tirar meu primeiro passaporte.

No fim de abril recebi telefonemas de algumas famílias americanas; Levei sustos enormes. Estava dormindo de tarde depois de uma noite de plantão, e, ao atender o telefone de casa despretensiosamente, ouvi um americano falando comigo do outro lado da linha. Guaguejava (afinal, como relatei no outro post, estava aprendendo inglês de verdade só agora, há poucos meses antes da viagem), quem não ficaria nervoso não é mesmo?

Neste programa as famílias tem um portal que conseguem olhar vários perfis de candidatas e podem ligar livremente para as que eles se interessam. Nessas ligações eles contam onde moram, quantas crianças são, quais seriam as funções, os horários e hábitos da família… É a hora que a au pair pode negociar com a família também. Como assim negociar Ana, o salário já não está estipulado? Estou falando de outros tipos de negociações.

(AQUI ABRO UM GRANDE PARENTESE. Por quê? Porque eu fui muito sem noção, não sabia que eu podia negociar, nem o que deveria perguntar e com o que me preocupar na hora de escolher a família. Tive sorte nos aspectos que vou citar abaixo).

Então vamos às dicas referentes à negociação:

  • Carro – Muitas famílias moram em lugares distantes dos centros das cidades, a maioria eu diria que moram nos subúrbios. E a grande verdade é que nos EUA o transporte público só é eficiente nos centros urbanos, famosas “downtown”. Os bairros residenciais, naquelas ruas bonitinhas, sem portões e muros, geralmente ficam a quilômetros do centro, e nessa hora, você, au pair, vai precisar de um carro nas horas vagas. Afinal, você vai querer sair para encontrar seus novos amigos(as), ir a escola, clube, sei lá o que te der na telha, e sem carro… Fica impossível. Então nesta hora da negociação é importante já deixar tratado o uso do automóvel nas suas folgas e horas vagas.
  • Curfew – O famoso toque de recolher. Que diabos é isso? Bom, algumas famílias estipulam um horário pra você estar de volta em casa. Algumas, porque a au pair vai ter que acordar cedo pra cuidar das kids, e elas querem ter certeza que você estará descansada. Outras por que são mais conservadoras, enfim. Tem famílias que não colocam curfew para a au pair, mas colocam para o uso do carro. Eu tinha uma amiga (a alemã, Marei Smk) que podia sair e voltar de manhã se quisesse, mas se estivesse usando o carro da família, tinha que devolvê-lo até às 2 da manhã, por exemplo. Eu não tinha curfew, não combinei (porque não sabia), mas deu tudo certo.
  • Acomodação – Outro fator importante é saber onde você vai dormir. Se você pensa que tanto faz, está muito enganada. Ás vezes você pode achar que dormir em um quarto no mesmo andar das crianças pode ser a melhor coisa do mundo, ou talvez você prefira mais privacidade, e prefira ficar no porão da casa. São informações úteis e que devem ser discutidas. Nada é perfeito e isso é uma certeza. Eu, por exemplo, dormia ao lado de um dos quartos das kids e dividia banheiro com elas. Elas adoravam bater na minha porta mesmo depois do fim do meu expediente. Já uma outra amiga, dormia no bassement, que ficava exatamente debaixo da cozinha. No fim de semana todos acordavam cedo, ela estava de folga. Ela ouvia um monte de gente pisoteando, conversando, criança gritando, tudo bem em cima da cabeça dela (não é verdade Larissa Seixas?)
  • Funções – Saber como é a rotina das crianças e quais funções exatamente você irá exercer. Eu preparava e servia todas as refeições, lavava as roupas e guardava, arrumava os quartos e sala de brinquedos das crianças. Também as levava para escola e atividades extracurriculares. A limpeza das áreas comuns da casa a gente dividia igualmente entre os três adultos da casa, uma vez por semana.

 

Bom pessoal, acho que este post já ficou muito longo, por isso, continuarei esta história, que também é muito longa, em um próximo post.

Espero que tenham curtido e ficado curiosos para a continuação da história!!!

Um bom dia para todos, e até mais!!!

Ana Artuso

 

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